PMTA representa o maior valor de pressão ao qual um equipamento pode ser submetido continuamente, de acordo com o código de construção, a resistência dos materiais, suas dimensões e seus parâmetros operacionais. A sigla significa Pressão Máxima de Trabalho Admissível e funciona como um limite técnico, não como a pressão normal de operação nem como prova isolada de que o equipamento está seguro.
Na NR-13, a PMTA aparece expressamente nos requisitos de caldeiras e vasos de pressão. Ela deve ser determinada por metodologia compatível com o equipamento e com o código aplicável, registrada na documentação e considerada na proteção contra sobrepressão.

O que diz a NR-13
A NR-13 não aplica o termo PMTA da mesma forma para todos os equipamentos. Veja como a norma trata o conceito nos seis eixos:
- Caldeiras: Há exigência direta e inegociável. A metodologia de estabelecimento da PMTA deve constar no prontuário (13.4.1.5) e o valor deve estar gravado na placa de identificação (13.4.1.3).
- Vasos de Pressão: Há exigência direta. A metodologia deve constar no prontuário (13.5.1.5) e o valor na placa (13.5.1.3). A PMTA é usada explicitamente como limite máximo para o ajuste de abertura das válvulas de segurança (13.5.1.2).
- Tubulações Industriais: A norma não menciona PMTA para este eixo. Para tubulações, a NR-13 exige documentação de “pressão de projeto” e “pressão de operação” (13.6.1.4). Na prática técnica (ex: ASME B31.3), usa-se classe de pressão e pressão de projeto.
- Tanques Metálicos: A norma não cita PMTA para tanques de armazenamento. Tanques operam sob pressão atmosférica ou muito baixa (ex: normas API 650 e API 653) e a integridade é avaliada por altura da coluna de líquido e pressão de projeto do espaço de vapor, não por PMTA.
- Válvulas de Segurança: A válvula em si não possui PMTA como limite estrutural na NR-13, mas a norma usa a PMTA do equipamento protegido (vaso ou caldeira) como o teto mandatório para definir a pressão de abertura (set point) do dispositivo de segurança (13.5.1.2).
- Manômetros: A norma não cita PMTA aplicável ao instrumento. O manômetro funciona como indicador visual para que o operador monitore a pressão de operação e garanta que ela não ultrapasse a PMTA do equipamento protegido.
Base normativa
A PMTA é uma exigência formal explícita da NR-13 para caldeiras e vasos de pressão. Na norma, a determinação da metodologia e a memória de cálculo da PMTA devem constar no prontuário do equipamento (itens 13.4.1.5, alínea “a”, subitem IV, e 13.5.1.5, alínea “a”, subitem IV). Além disso, a PMTA deve estar registrada obrigatoriamente na placa de identificação fixada no corpo do equipamento (itens 13.4.1.3 e 13.5.1.3). A NR-13 não usa a expressão “PMTA” para tubulações industriais nem para tanques metálicos de armazenamento (estes possuem regimes de projeto próprios).
Evidência normativa
Abaixo estão os recortes originais das fontes técnicas usadas como base para esta explicação. Os trechos foram selecionados da NR-13, do ASME VIII Div.1 e da API 510, mantendo a redação original da fonte. Quando o trecho estiver em inglês, apresentamos também uma tradução livre para facilitar a leitura.
Fontes utilizadas: NR-13 — Glossário; NR-13 — item 13.5.1.5; NR-13 — item 13.5.1.2; ASME BPVC Section VIII Div.1 — UG-98(a); API 510 — Section 3.1.53.
NR-13 — Glossário
Pressão Máxima de Trabalho Admissível – PMTA: maior valor de pressão a que um equipamento pode ser submetido continuamente, de acordo com o código de construção, a resistência dos materiais utilizados, as dimensões do equipamento e seus parâmetros operacionais.
NR-13 — item 13.5.1.5
13.5.1.5 Todo vaso de pressão deve possuir, no estabelecimento onde estiver instalado, a seguinte documentação devidamente atualizada:
a) prontuário do vaso de pressão, fornecido pelo fabricante, contendo as seguintes informações: (…)
IV – metodologia para estabelecimento da PMTA;
NR-13 — item 13.5.1.2
13.5.1.2 Os vasos de pressão devem ser dotados dos seguintes itens:
a) válvula de segurança ou outro dispositivo de segurança com pressão de abertura ajustada em valor igual ou inferior à PMTA, instalado diretamente no vaso ou no sistema que o inclui (…)
ASME BPVC Section VIII Div.1 — UG-98(a)
The maximum allowable working pressure for a vessel is the maximum pressure permissible at the top of the vessel in its normal operating position at the designated coincident temperature specified for that pressure.
API 510 — Section 3.1.53
3.1.53 MAWP
maximum allowable working pressure. The maximum gauge pressure permitted at the top of a pressure vessel in its operating position for a designated temperature.
Tradução livre:
- ASME UG-98(a): A pressão máxima de trabalho admissível para um vaso é a pressão máxima permitida no topo do vaso em sua posição normal de operação na temperatura coincidente designada especificada para aquela pressão.
- API 510 3.1.53: MAWP (pressão máxima de trabalho admissível). A pressão manométrica máxima permitida no topo de um vaso de pressão em sua posição de operação para uma temperatura designada.
Contexto técnico
A PMTA não deve ser confundida com a Pressão de Operação ou com a Pressão de Projeto. A Pressão de Projeto é o valor usado no dimensionamento mecânico inicial da chapa e componentes. A Pressão de Operação é a pressão real de trabalho do dia a dia, mantida pelo processo. A PMTA é o limite máximo seguro certificado. Outro ponto fundamental é a equivalência do termo em códigos de construção estrangeiros: nos códigos americanos, como ASME BPVC e API 510, o conceito técnico de PMTA recebe o nome de MAWP (Maximum Allowable Working Pressure).
Documentos ou requisitos relacionados
A PMTA está diretamente atrelada à integridade e à validação da documentação estrutural. A NR-13 obriga o estabelecimento a apresentar:
- a placa de identificação com a PMTA (legível no corpo do equipamento);
- o prontuário NR-13 original do fabricante, contendo a memória de cálculo completa e a metodologia de determinação do valor;
- os certificados de calibração dos dispositivos de segurança, atestando que seus limites de abertura obedecem rigorosamente a PMTA;
- o projeto de reconstituição de prontuário (quando o original for perdido ou inexistente), situação na qual a reconstituição da memória de cálculo da PMTA passa a ser considerada uma exigência imprescindível (item 13.5.1.6).
Exemplos de aplicação
Em um vaso de pressão atuando como pulmão de ar comprimido, a PMTA é a referência que proíbe a equipe de manutenção de instalar uma válvula de segurança cujo ponto de disparo (set point) supere a resistência máxima atestada para aquele casco.
Em caldeiras a vapor, a PMTA visível na placa orienta o Operador de Caldeira a monitorar o manômetro e agir sobre a modulação do fogo ou descarga caso a pressão de operação se aproxime da faixa de risco.
Termos relacionados
- Vaso de pressão;
- Caldeira;
- PLH;
- Prontuário NR-13;
- MAWP;
- Pressão de Projeto;
- Pressão de Operação;
- Válvula de segurança.
Conteúdo relacionado
- Inspeção de vasos de pressão e caldeiras;
- Documentos obrigatórios da NR-13;
- Reconstituição de Prontuário NR-13;
- Diferença entre PMTA, MAWP, Pressão de Operação e Pressão de Projeto;
- Como ajustar as válvulas de segurança.
Referência técnica
NR-13 — Caldeiras, vasos de pressão, tubulações e tanques metálicos de armazenamento.
ASME BPVC Section VIII Division 1.
API 510 — Pressure Vessel Inspection Code.
Conclusão
PMTA é um limite técnico de pressão aplicável expressamente a caldeiras e vasos de pressão na NR-13. Ela se relaciona ao código de construção, aos materiais, às dimensões e às condições consideradas na avaliação.
O parâmetro deve permanecer coerente entre prontuário, memória de cálculo, placa de identificação, operação e proteção contra sobrepressão. Sua existência isolada não comprova a segurança do equipamento nem substitui inspeções e avaliações de integridade.
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